
Dona Cida
Dona Cida criou o Palito no abraço e no puxão de orelha, avental amarrado na cintura e colher de pau à mão. Decorou o nome de cada colega dele, sabe quem é o Bolinha e quem é a Dona Zenilda, e não perde uma edição por nada.
Na última quinta a redação virou a noite e, sete da manhã, bateram na porta: era a Dona Cida com marmita pra oito, arroz ainda quente, avisando que ninguém trabalha bem de barriga vazia. Ficou só até todo mundo comer, deu um beijo na testa do filho e foi pegar o ônibus pro serviço.
É o chão do Palito. Quando o mundo lá fora pesa demais, é a voz dela no telefone perguntando 'já comeu, filho?' que coloca ele de volta no lugar. Não importa quanta gente reconheça o repórter na rua: pra Dona Cida ele nunca vai deixar de ser o menino que esquece de almoçar.
